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A difícil tarefa de captar investimentos para startups de biotecnologia

Muitos empreendedores enfrentam dificuldades na hora de captar investimento. Quando falamos de startups de hard science a tarefa é ainda mais difícil. Existem muito mais investidores interessados em investir em negócios digitais que em empresas na área de saúde ou biotecnologia.

A justificativa é simples: startups de hard science exigem mais capital, demoram mais tempo para se desenvolver e ainda, na maioria das vezes, os investidores não são capazes de entender ou avaliar a tecnologia e os riscos inerentes ao negócio. Em resposta a isso, eles simplesmente desistem. 

Nos últimos anos, no entanto, vem surgindo um tímido grupo de investidores dispostos a conhecer melhor esse mercado. Para ter sucesso, portanto, a primeira coisa a fazer é procurar o perfil do investidor especializado no segmento de saúde.

Mas afinal, o que os investidores avaliam (ou deveriam avaliar) antes de investir em uma startup de saúde?

O PERFIL DA TECNOLOGIA E O CONHECIMENTO CIENTÍFICO

– Inovação radical ao invés de inovação incremental. Flávia Guimarães, sócia fundadora da Max Grow, explica que não é apenas a questão de uma ideia ser diferente. “A inovação não pode ser simplesmente incremental. É desejável que tenha um grau de disrupção.” Tecnologias disruptivas dão uma vantagem competitiva a startup, o que é muito importante uma vez que terá de competir no mercado com empresas estabelecidas. 

– Tecnologia do tipo plataforma ao invés de tecnologia de propósito único. “Se a tecnologia for do tipo “plataforma”, em que você pode fazer pequenas adaptações para poder gerar uma família de produtos mais abrangentes, isso também agrega valor para potenciais investidores”, acrescenta.

– Envolvimento do pesquisador. “No caso de hard science, é muito importante quando o criador da tecnologia está literalmente dentro no negócio, uma vez que nesse estágio inicial tem muito do conhecimento tácito do pesquisador.” Além disso, quanto mais evidências você tem pra provar que a tecnologia de fato funciona, mais interessante fica a sua startup, uma vez que você consegue demonstrar que os riscos tecnológicos estão sendo superados.

– Propriedade intelectual com licenciamento exclusivo. O empreendedor deve prestar muita atenção à propriedade intelectual. Uma boa estratégia de PI é considerada um diferencial e atrai investimentos, segundo ela, porque” aumenta a barreira para novos entrantes.”

COLABORAÇÃO E TIME DEDICADO

“Um dos fatores mais crítico nos estágios iniciais é o time”, pondera Flávia. “A equipe tem que ser engajada, ter sintonia, ter as tarefas muito bem divididas, e também ser dedicada. Os investidores têm que realmente perceber o quanto aquele time é apaixonado, praticamente obcecado com o problema que está tentado resolver e com o sucesso dessa startup”.

Outro ponto importante é a necessidade de uma liderança que seja complementar em suas competências. Por exemplo, é muito importante que dentre os sócios exista uma pessoa no papel de gestão. Sabemos que muitos dos pesquisadores que se tornam empreendedores não foram devidamente capacitados com as competências de negócios, mas é importante que ele esteja disposto a desenvolver essas habilidades e que saiba o quanto isso é importante para o sucesso da startup. 

O empreendedor – ou os empreendedores – devem ter a capacidade de transpor seus conhecimentos do meio científico para o mercado, precisam aprender a lidar com gestão, fluxo de caixa, clientes, negociação e apresentação de resultados.

Fonte: Shutterstock
SABER LIDAR COM AS INCERTEZAS DO MERCADO

O mercado de startups brasileiras, especialmente empresas de saúde, é reconhecidamente repleto de barreiras, mas saber como lidar com elas pode tornar sua startup mais atrativa para potenciais investidores.

Questões como o tempo de desenvolvimento da tecnologia, recurso necessário e os aspectos regulatórios do setor de atuação devem ser conhecidas pelo empreendedor. “A questão regulatória é uma barreira de entrada. Você tem que vencer essa barreira e isso exige recursos e muito trabalho, mas, a partir do momento que esta barreira foi vencida, isso se torna um diferencial competitivo”.

Saber qual segmento do mercado vai ser atingido e quais são as lacunas que sua empresa pode suprir ajudam a formar uma visão de futuro, muito valorizada por investidores. Conhecer seu segmento é o primeiro passo para saber quais desafios devem ser enfrentados, como o contato com consumidor, as limitações técnicas, canais de distribuição, entre outros.

CONFIABILIDADE E POTENCIAL

Os investidores também consideram uma startup mais interessante se o empreendedor mostra conhecimento sobre as melhores formas de utilizar o investimento, explica Flávia: “Você precisa demonstrar para o investidor onde o aporte dele poderá ajudá-lo a chegar. Tem que ficar claro que o dinheiro será utilizado de forma a mudar o estágio de maturidade do negócio. E sempre evitar ao máximo a imobilização de capital nos estágios iniciais”.

E, claro, o potencial de desinvestimento é um dos principais fatores a ser considerado.

 “Aqui é importante que os investidores consigam vislumbrar um potencial de exit. O tradicionalmente esperado no mercado de capital de risco é que o investidor só terá lucros com aquela empresa no momento da venda de sua participação em rodadas futuras” conclui.

Os pontos levantados neste texto, como grau de disrupção da tecnologia, time engajado, desafios de mercado, e potencial de desinvestimento são também analisados pelos executivos da Max Grow para realização do aporte financeiro e desenvolvimento de uma startup.

Link: https://maxgrow.com.br/a-dificil-tarefa-de-captar-investimentos-para-startups-de-biotecnologia/

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